GABARITO 1
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| Exemplo de escalonamento: Oka, Isay Weinfeld |
O porte das edificações das cidades surgiu organicamente por razões culturais e técnicas. Com o tempo, a evolução da engenharia proporcionou o alcance de grandes alturas que começaram a salientar a necessidade de compatibilização urbana. Quando se fala em prédios muito altos, a primeira referência negativa lembrada é em relação ao sombreamento; e a positiva sugere progresso econômico. Esse progresso se daria à cidade ou à uma incorporadora? O que podemos afirmar é que a sombra, sim, se daria à cidade… Não se trata de ser contra ou à favor de edificações de grande volumetria, todavia de acomodá-las na vida urbana. O desenvolvimento econômico deveria resultar diretamente no aumento da qualidade de vida citadina, entretanto, numa sociedade cunhada na concentração de riqueza, o conforto de poucos cidadãos é proporcionado pelo trabalho dos demais. Sim, pensar cidade é politizar…
Na matemática urbanística, os planos diretores impõem regras. Percentuais para a ocupação no terreno; coeficientes de área a construir; proporções de afastamento… E limites de altura? Em tese, o limite não é matemático, e sim normativo. Por exemplo, se não houvesse limite de altura e aplicássemos regras módicas a um fictício terreno de 2 ha - do tamanho de um quarteirão -, tranquilamente poderíamos projetar um prédio com mais de 100 m de altura. Quando aplicado um hipotético limite vertical de 50 m, para gastar todo o potencial construtivo de direito o Arquiteto teria que ampliar a ocupação. Lembrando da ideia de compatibilização, o limite de altura rege a composição da paisagem urbana. A exemplo de um PPCI, onde infelizmente o mercado imobiliário gera edificações com larguras mínimas legais, mas não ideais; o paradigma que exponho é o de que deveríamos pensar em mínimo e máximo para vários critérios. Por exemplo, um terreno vazio numa área central densa, além do máximo potencial construtivo permitido de praxe, deveria ter o mínimo obrigatório para que uma nova edificação não venha a destoar do conjunto a qual for inserida. Na testada de quarteirão com alta densidade, não seria adequada a construção de uma casa térrea lindeira a prédios altos. A altura acompanharia essa equação de forma diretamente proporcional, com um valor mínimo, assim como o máximo, de forma análoga à composição das Superilhas barcelonesas.
SOBRECARTA SOLAR (P-S)
Guardadas as proporções do regime volumétrico de um plano diretor, com seus controlados potenciais construtivos e, inclusive, imposição de limite de altura em divisa de terreno, defendo um regramento não convencional calcado na preocupação dos impactos sanitários que a volumetria urbana implica diretamente em iluminação e ventilação. Dentro da minha teoria do “Plano-Sequência”, conforme a lógica dos relógios de sol, eu nomeei essa regra de “Sobrecarta Solar”, uma espécie de envelope baseado na carta solar do terreno. Expeditamente, focando apenas na edificação, ao passo que uma torre de trinta andares, em Porto Alegre (capital mais meridional do Brasil), teria um grande escalonamento obrigatório na face Sul (Meridional/Austral), escalonamentos médios compulsórios nas faces Leste e Oeste, e gabarito vertical na face Norte (Setentrional/Boreal); em Macapá (equatorial capital brasileira), todas as orientações (solares) das fachadas estariam livres de escalonamento obrigatório. Evidentemente que, nesse caso, a morfologia das cidades sulistas poderia sofrer grandes transformações dependendo das soluções encontradas pelos Arquitetos. Exemplificando, em uma avenida Leste-Oeste, de Florianópolis, os envelopes da volumetria seriam diferentes para cada lado. No lado Sul, as fachadas Norte poderiam ser perpendiculares ao solo em sua plenitude, ao passo que; no lado Norte da avenida, as fachadas Sul acabariam por ser escalonadas, contudo a qualidade ambiental melhoraria.
Isso é Urboplanado!

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