SUSTENTABILIDADE 1
Em tempos em que vivenciamos consequências nocivas de más decisões pretéritas às temáticas ambiental, social, e econômica, que formam o tripé da sustentabilidade urbana, fica evidente a importância da sustentação desse sistema. Se o surgimento de uma cidade - o habitat do ser urbano - impacta diretamente a natureza que cursava intocada e harmoniosa na história da Terra; logo devemos atenuar ao máximo os danos desse desenvolvimento, e para isso, seguem alguns tópicos importantes.
Equilíbrio Socioeconômico
Onde o meio natural é o princípio de tudo, é importante pesar que um desenvolvimento econômico que desconsidere a manutenção da natureza ou a saúde física e mental da população terá prejuízos financeiros no futuro. Isso é prova da correlação dos três pilares da Sustentabilidade Urbana que devem estar alinhados. Cidadãos sem educação, com condição financeira precária, tendem a esgotar ou danificar os recursos naturais por inconsciência e subsistência. Um ecossistema desequilibrado vai extinguindo as possibilidades de exploração econômica. Destarte, a gestão citadina deve pautar o desenvolvimento social e econômico, com investimentos em educação e na criação de postos de trabalho, na defesa do meio ambiente.
Elementos Naturais
Na gestão da água e da biodiversidade urbana, a criação de grandes parques, reservas e corredores ecológicos são formas de atenuação natural dos efeitos climáticos extremos. Possibilitam o amortecimento das águas de forma natural com jardins de chuva - ao contrário dos grandes “piscinões” impermeáveis - e, o fomento da cultura biofílica, com a preservação da flora e da fauna, propiciando a conexão com o verde e decorrente lazer humano.
Arquitetura Biofílica
O urbanismo biofílico é uma abordagem de planejamento urbano indispensável, pois aproveita de forma inteligente os recursos naturais, em benefício mútuo ao tripé da sustentabilidade. Como a própria tradução sugere, a biofilia é o “apreço à vida natural”. Tecnicamente é a exploração dos recursos naturais para o bom desempenho da habitabilidade dos espaços e das edificações. Podemos citar desde a rejeição à ociosa alternativa da ventilação mecânica e da iluminação diurna artificial, à racionalização da climatização com o uso dos ventos e da orientação solar; do favorecimento à permeabilidade do solo ao amortecimento e aproveitamento das águas reclusas em cisternas. Similar à Arquitetura Vernacular, a Arquitetura Passiva incorpora materiais orgânicos de baixa condutibilidade e mais próximos da temperatura humana, como blocos de barro, pedras e madeiras, oportunizando ambientes com uma eficiência térmica de baixo custo energético. Elementos vivos como os vegetais têm grandes potenciais térmicos, acústicos, e paisagísticos. Assim como em paredes e coberturas verdes, nos espaços abertos, públicos ou privados, correlatas técnicas cumprem a função de dispersar ondas de calor. No tocante à arborização, de preferência com grande densidade territorial, aos benefícios térmicos podemos somar a melhoria da qualidade do ar com a regulação à emissões de gás carbônico. Da qualificação acústica somamos a expertise do uso de vegetais com proporções adequadas para anteparos aos ruídos urbanos como o trânsito de veículos. E, no quesito paisagístico, a compatibilização de espécies vegetais à cultura local, ou de árvores com florescência concomitante às épocas de festividades, são detalhes que transformam uma cidade. Ademais, prescinde observar as necessidades frutíferas da fauna, e até mesmo, podendo criar a oferta de frutas aos cidadãos como forma de amenidade urbana.
Ciclo do Lixo
Assim como o reuso de águas, a reciclagem de materiais é uma necessidade na gestão de recursos. Em resumo, no capítulo do lixo, qualquer material deve ter seu ciclo de uso desenhado ao ponto de responsabilizar os atores de cada fase, como o próprio fabricante, num caso de logística reversa, poderá ter a obrigação do reaproveitamento ou do descarte de uma embalagem. Há ações de recompensa de créditos em feiras de alimentos pela troca de resíduos orgânicos geradores de adubo ou de biomassa para a produção de biogás por compostagem.
Racionalização do Uso do Solo e do Transporte
A sustentabilidade urbana é pautada pelo uso inteligente dos recursos. Planejar a cidade reduzindo os deslocamentos de seus habitantes é possibilitar benefícios de toda a ordem. Além de organizar as concorrentes atividades de um município, adensar a população oportuniza um melhor aproveitamento dos serviços além de favorecer o uso da mobilidade verde que em geral atende à pequenas distâncias.
Isso é Urboplanado!

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