MOBILIDADE 2
Muitas são as boas ideias que podem ser aplicadas ou adaptadas às cidades planejadas ou às existentes. Expomos algumas experiências que acompanhamos em práticas no campo da mobilidade:
Elevadas e Passarelas
• Na cidade, as obras de arte especiais, como passarelas e elevadas, devem ser implantadas nas vias de trânsito rápido e nas suas conexões com as arteriais. Evidentemente que muitas vezes são superestruturas indispensáveis à mobilidade rápida ao longo do próprio traçado das vias arteriais, e sendo assim, devemos ao menos minimizar os impactos nocivos de suas inserções junto à malha urbanizada. Uma alternativa menos danosa a esses entraves visuais e peatonais dos cruzamentos com transposição é a execução de pequenas trincheiras com pontes, cavando todo o vão de passagem ou a altura do meio. Por exemplo, para uma avenida passar por outra a uma altura mínima de 4,5 m, a travessia seria feita simplesmente transpondo o buraco de 4,5 m por uma ponte ou como uma pequena via elevada subindo 2,25 m de altura que passaria por uma trincheira com a profundidade de 2,25 m. Em ambos os casos as intervenções na paisagem e na promenade seriam menores do que de uma elevada simples de 4,5m de altura.
Ruas e Avenidas
• Quando possível, projetar as avenidas com grande largura, mantendo uma espécie de parque linear no largo canteiro central para posteriores ajustes. Consequentemente, haverá reserva de área para futuras ampliações de passeio ou viárias, e a área pública assim estará menos suscetível à ocupações irregulares. As vias coletoras e as locais, por sua vez, devem ser resolvidas em detrimento do veículo, diminuindo as pistas para os carros ou as tornando prioritárias ou exclusivas para os pedestres.
Uma prática comum em algumas cidades é a de, nos domingos e feriados, bloquear o trânsito de veículos em determinadas avenidas para uso exclusivo e recreativo de pedestres e meios de transporte leves. Essa ação pode ser expandida para, em datas especiais, propiciar uma ocupação para o lazer da população, mas sobretudo educativa, em ambientes reconhecidamente exclusivos a veículos, como túneis ou grandes largos automotivos. É impactante para nós enquanto pedestres quando desfrutamos dos largos espaços veiculares.
Além dos limites estabelecidos por outros dispositivos, as alturas das edificações e seus afastamentos frontais deveriam sempre considerar a largura das vias. Essa relação também deveria ter reflexos diretos no trânsito de veículos, onde as ruas estreitas deveriam ter apenas um sentido e, logicamente, com a garantia de um generoso passeio público para os pedestres, compartilhado com os meios de transporte leves (sejam ativos ou energizados).
Vagas de Estacionamento
• A facilitação de vagas de estacionamento para automóveis não favorece a mobilidade citadina, pois eles são os maiores responsáveis pelos congestionamentos. Vários enfrentamentos podem ser feitos, como subsidiar o transporte público com os recursos advindos dos parquímetros; regular o número máximo de vagas em estabelecimentos comerciais; e implementar a cobrança de pedágio em regiões mais densamente ocupadas como as zonas centrais.
Rotatórias
• Com a exceção dos entroncamentos com trânsito excessivo (muito intenso) ou assimétrico (fluxo maior em uma via do que em outra), ou da incapacidade de área mínima, a implantação de rotatórias nos cruzamentos é mais recomendada do que a de semáforos. Os benefícios vão desde a diminuição dos acidentes de trânsito, como do próprio custo de execução e de manutenção, além da diminuição da poluição visual. Numa rotatória o tráfego não pára, entretanto é importante o respeito dos motoristas às preferenciais dos veículos e às travessias de pedestres.
Faixas Prioritárias
• Além de toda a organização quanto ao porte dos veículos no leito carroçável, disponibilizando faixas exclusivas para ônibus ou motocicletas (motovias); para incentivar o compartilhamento de viagens, pistas de rolagem prioritárias ou exclusivas a veículos com maior capacidade de passageiros devem ser incentivadas. Sejam padrões de carros de passeio ou de vans, a regra é carregar passageiro. Curiosamente, em carros autônomos, o motorista deverá estar de carona…
Linhas de Ônibus
• O sistema de transporte citadino deve funcionar de forma intermodal e integrada, podendo admitir tarifas únicas que serão posteriormente rateadas proporcionalmente entre as prestadoras do sistema. Em especial, as linhas de ônibus devem ser divididas no sistema de integração entre as coletoras dos bairros e as radiais para grandes distâncias, como o OTR (Ônibus de Trânsito Rápido), correndo pelas vias arteriais. O desenho racional do transporte coletivo rodoviário busca evitar a sobreposição dos itinerários, e além da relevância dos pontos de interesse, a quantidade de paradas de ônibus deve ser inversamente proporcional à velocidade de operação. Ônibus rápidos terão menos paradas.
Isso é Urboplanado!

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